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Professores de Cruz das Almas sofrem ataques após protestos em frente a Prefeitura

Áudios e capturas de telas circulam nas redes sociais questionando a ação dos professores; “sem educação”, “baderneiros”, e “movimento político” aparecem em mensagens de voz

Desde o “apitaço” realizado no dia 31 de dezembro, professores efetivos da rede municipal de ensino vêm sofrendo ataques nas redes sociais e em programas de rádio em Cruz das Almas. Nas mensagens amplamente compartilhadas, pessoas questionam a índole das reivindicações e dos profissionais de educação. Os protestos são organizados pela Associação dos/as Professores/as Licenciados/as do Brasil (APLB/Cruz das Almas) e cobram o rateio das sobras do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O Código Penal Brasileiro pode enquadrar ofensas virtuais como crime.

Manifestação política e ofensas

De forma anônima, mensagens de voz circulam em grupos de WhatsApp comentando sobre as manifestações dos professores em frente ao Paço Municipal. Para a preservação das identidades das pessoas envolvidas, o Bahia Recôncavo não divulgará as vozes. Em uma destas mensagens, os professores têm seu nível educacional questionado e são chamados de “baderneiros”.

“Alô professores do 13 (Partido dos Trabahadores – PT). Vocês que têm o diploma de ser professor e vão para praça pública. Que diploma é esse de vocês? Vocês não têm educação? Vocês arrumaram esse diploma onde? O professor tem que ter vergonha. Não agravando a todos. Mas vocês têm que ter vergonha. Tem que sentar e conversar com o prefeito. Não ir atrás de negócio de partidário (sic.), coisas de politicagem. Toma vergonha, professores. Vocês, com diploma na mão, fazendo esse vexame na praça. Isso é coisa de baderneiro”.  

FONTE: ÁUDIO COMPARTILHADO NO WHATSAPP

Em outra gravação, um comentário em programa de rádio afirma que os trabalhadores da educação estão “tentando atrapalhar o trabalho do prefeito”.

“Tem gente aí que está fazendo politicagem baixa. Tentando denegrir (sic.) a imagem de um prefeito filho da terra. De um cidadão que é pagador, gosta de honrar com os compromissos. Essa é a pura realidade. O Ednaldo (Ribeiro) está fazendo um bom trabalho, mas está incomodando a oposição”.

Trecho de comentário em programa de rádio local

O Bahia Recôncavo questionou a APLB sobre os ataques. De acordo com o sindicato, os áudios são verídicos e alguns “são de pessoas ligadas ao grupo político do prefeito”, com conteúdo similar: “Acusar a mobilização de ser partidária e ligada à oposição”; “Dizer que a categoria só faz zoada, e está cobrando um direito que não existe”; “Atacar pessoalmente Augusto (presidente da APLB) como se fosse uma pessoa comprada pelo prefeito (Ednaldo Ribeiro)” e “Dizer que a APLB não faz nada”, afirma.

Pedido de respeito

Leonardo Gonçalves/Bahia Recôncavo

Nas recentes manifestações, os professores vêm carregando uma faixa pedindo por “Respeito e Dignidade” e o rateio das sobras do Fundeb que são garantidas por lei, além da resposta da Prefeitura de Cruz das Almas. Porém, na última segunda-feira, 10, o prefeito Ednaldo Ribeiro (Republicanos) não esteve presente no Paço Municipal para debater a pauta com a categoria.

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O que diz o Código Penal

A depender do conteúdo das mensagens, a situação de ofensa pode configurar crimes contra a honra (difamação, injúria e calúnia), de acordo com o Código Penal Brasileiro. Os autores das postagens em redes sociais, que são registradas por escrito no meio digital, também podem responder do mesmo modo.

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