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Zé Pé de Pano

O Santo Esposo de Maria, a Mãe de Jesus, chamava-se José e em razão dele ser um homem justo, como nos fala a Bíblia Sagrada (Mt 1,18), muitos pais têm colocado seu nome nos filhos por todo o mundo. E como o ser humano tem um hábito de sempre procurar alterar, geralmente minimizando, os nomes das pessoas, quase todos os Josés são referidos como Zés.

Assim são conhecidos milhões de Zés pelo mundo afora. Muitos famosos, outros menos, vários usados de forma pejorativa, e assim vai. Temos alguns artistas como: Zé Kéti, Zé Ramalho. Zé Trindade, Zé Vasconcelos, Zé Dantas, Zé Gonzaga, Zé Arigó, Zé do Caixão, e muito mais. Outros Zés são parte de nosso dia a dia nas novelas, programas humorísticos, na hierarquia religiosa, na literatura, no comércio, etc., como Zé Lins do Rego, Zé Trovão, Zé Coxinha, Zé Colmeia, Zé Coió, Zé Gotinha, Zé Gaguinho, Zé Grosso, Zé Gatão, Zé Graça, Zé Carioca, Zé Bim, Zé Bonitinho, Zé Busca-pé, Zé Marmita, Zé Broinha, Zé de Anchieta, e mais outros. Temos também os Zés políticos, alguns famosos nos últimos anos, como: Zé Dirceu, Zé Genoíno, Zé Sarney, Zé Armando, Zé Aparecido, Zé Ronaldo, Zé Marti, Zé Dias, Zé Augusto, Zé Amando, Zé Joaquim de Almeida, Zé Ribeiro dos Santos, Zé do Fusca, e mais uma lista enorme. Diversos Zés têm nomes obscenos ou desagradáveis, como: Zé Borrão, Zé Brigite, Zé Canela, Zé Papagaio, Zé Magarefe, Zé Pato, Zé Pipoca, Zé Piromba, Zé proto, Zé Povinho ou Zé Povim (homem comum, homem do povo), Zé Povo ou Zé ninguém (homem comum, homem do povo) Zé da Véstia (João Ninguém), Zé de Quinca (ânus), Zé dos anzóis ou Zé dos anzóis carapuça (fulano, João ninguém), Zé ferino (fresco), Zé Gú (árabe vindo da Espanha), Zé ista (que come muito milho), Zé Prego (homem parecido ao macho da tartaruga), Zé prequeté (João ninguém), Zé tranquilino (punhal), Zé Zinha (vulva), Zé Zinho (pênis).

Existe tanto Zé que o grande Jackson do Pandeiro eternizou os Zés da Paraíba com a sua bela composição: COMO TEM ZÉ NA PARAÍBA

Vige como tem Zé
Zé de baixo, Zé de riba
Tesconjuro com tanto Zé
Como tem Zé lá na Paraíba.
(coro repete)

Lá na feira é só Zé que faz fervura
Tem mais Zé do que coco catolé
Só de Zé tem uns cem na Prefeitura
Outros cem no comércio tem de Zé
Tanto Zé desse jeito é um estrago
Eu só sei que tem Zé de dar com o pé
Faz lembrar a gagueira de um gago
Que aqui se danou a dizer Zé.

Num forró que eu fui em Cajazeira
O cacete cantou e fez banzé
Pois um bebo no meio da bebedeira
Falou mal e xingou a mãe dum Zé
Como tinha só Zé nesse zunzum
Houve logo tamanho rapapé
Mãe de Zé era a mãe de cada um
No salão brigou tudo que era Zé…

É Zé João, Zé Pilão e Zé Maleta
Zé Negão, Zé da Cota, Zé Quelé
Todo mundo só tem uma receita
Quando quer ter um filho só tem Zé
E com essa franqueza que eu uso
Eu repito e se zangue quem quiser
Tanto Zé desse jeito é um abuso
Mas o diabo é que eu me chamo Zé…

E assim encheríamos páginas e mais páginas falando sobre os Zés, mas não poderíamos omitir pelo menos alguns Zés de Cruz das Almas. O cruzalmense poeta e professor Aguinaldo Oliveira, rebento ilustre de Caneco de Ouro, eternizou alguns Zés de Cruz das Almas no seu cordel: Os “ZÉ”. Nesse seu trabalho ele se referiu aos seguintes Zés cruzalmenses: Zé Nogueira, Zé Daltro, Zé Caim, Zé Moraes, Zé Jorge, Zé Marco, Zé Ney, Zé Tarado, Zé Pequeno, Zé Brasil, Zé Eletricista, Zé Santos, Zé Pelanca, Zé Alberto, Zé Lito, Zé Castro, Zé de Diga, Zé Garcia, Zé Machado, Zé Batista, Zé Soares, Zé de Jandi, Zé Ruque, Zé Antônio, Zé Leite, Zé de Almeida, Zé da Coréia, Zé de Otávio, Zé Nunes, Zé do Gato, Zé Oliveira, Zé do Alho, Zé Valdo, Zé de Jacó, Zé Cinderela, Zé Fuguete.

Por certo que se ele tivesse escrito uma nova edição de seu trabalho ele acrescentaria: Zé Guilherme, Zé Soledade, Zé de Afonso, Zé Neiva, Zé de Zé Rocha que é o Zé Augusto Rocha, Zé Augusto Sampaio, Zé Raimundo Ferreira (Zeca de Dois Velhos), Zé de Julhinho, Zé Linhares, Zé Teixeira, Zé Luciano (Buldogue), Zé Carlos (Gozo Eterno), Zé Beiju, Zé Fernandes, Zé de Vasconcelos Sampaio, Zé Junqueira Aires, Zé Menezes Borges, Zé Maria Magalhães, Zé Maria Couto Sampaio, Zé Magalhães, Zé Torquato, Zé Quinha (Boaventura), Zé Velame, Zé Humberto, Zé Gomes, Zé Inácio, Zé de Orlando, Zé Orlando, Zé Maia, Zé Muzenza, Zé Augusto (Buzega), Zé Mateus, Zé Raimundo, Zé Pacatinha, Zé de Bibiano, Zé Mendes, Zé Joaquim Ribeiro dos Santos, Zé Brás, Zé Lordelo Buri, Zé Passos, Zé Batista da Fonseca, Zé Batista da Fonseca Neto, Zé Rui, Zé de Armando, Zé Lucíndio, Zé Braga, Zé Rocha, Zé Geraldo, Zé Carvalho, Zé Riquinho, Zé Márcio, Zé Souza, Zé Bastos, Zé Olímpio, Zé Trócoli, Zé Ubaldo Barbosa, Zé Ubaldo Santana e muitos outros.

Mas, na zona rural de Cruz das Almas, lá na Pumbinha, que fica entre a Pumba e a Lagoa do Cedro, vizinha de Morrinhos, surgiu um novo Zé, que era trabalhador de Raimundo Oliveira Filho. Esse Zé ficou conhecido como Zé Pé de Pano. E esse nome lhe surgiu dado por seus amigos que descobriram que ele estava “pegando” a mulher de um vizinho, e para que o cidadão prejudicado, os demais da casa e os vizinhos não percebessem sua circulação na calada da noite ele enrolava os pés com um pano que amaciava assim suas sorrateiras “puladas de muro”. Mas, como nada mal feito fica escondido, um notívago descobriu e espalhou. Aí as pessoas das redondezas ficaram sabendo das incursões do Zé e o nome Zé Pé de Pano se espalhou.

Por: Alino Matta Santana

*Professor Titular da Universidade Federal da Bahia, Msc pela UFBA, Doutor Honoris-Causa pela UNI AMERICAN Universidade Corporativa das Américas, Ex-Diretor da Escola de Agronomia da UFBa. Ex-Diretor da EMBRAPA – Mandioca e Fruticultura, Ex-Diretor Geral da Faculdade de Ciência e Tecnologia Albert Einstein (FACTAE), Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Cruz das Almas, Cronista, Contista, Poeta, Escritor com 26 livros publicados, Membro da The Internacional Academy of Letters of England e mais nove Academias de Letras. Articulista do Jornal do Planalto por mais de 30 anos com mais de 500 crônicas publicadas. Artigos publicados nos Periódicos: Jornal A Tarde, Jornal da Bahia, Jornal O Povo, Jornal do Clube de Campo Laranjeira, Jornal do Engenheiro Agrônomo, Jornal do Maçon, Revista Reflexos de Universos, Jornal O Bodejo, Revista O Leão do |Planalto, Revista Canal, Revista Auge, Jornal Tribuna Popular, Jornal a Gazeta, Boletim Informativo o Bonsucesso.

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