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Representatividade: Ireuda Silva destaca a importância do Prêmio Maria Felipa

Por Ivana Moreira

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional da Mulher Negra comemorado em 25 de julho, acontecerá na mesma data, o Prêmio Maria Felipa. Dessa forma, essa premiação irá homenagear 25 mulheres negras que atuam em diversas profissões e se destacam na luta por direitos, representatividade e no combate ao racismo na capital baiana.

A honraria é conduzida por Ireuda Silva, vereadora do partido Republicanos e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice-presidente da Comissão de Reparação. Ireuda é natural de Feira de Santana, e se destaca na luta racial e de gênero, além disso, foi a vereadora mais votada em Salvador na última eleição com 12.098 votos.

“Marias Felipas”: conheça as homenageadas deste ano

Nesta 12ª edição serão agraciadas: a advogada Dandara Pinho; a inspetora da Guarda Civil Municipal Jussimara Viana; a vereadora Cris Correia; a dermatologista Hadassa Barros; a administradora e ativista Itaijara Souza; a cantora Lizandra Gonçalves; a comandante da Ronda Maria da Penha da PM, Major Tereza; a pesquisadora Bárbara Carine Soares Pinheiro; empresária Nay Megas; a titular da SPMJ Fernanda Lordelo; a diretora da SPMJ Fernanda Cerqueira; a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga; a psicóloga Jeane Tavares; a dançarina Sara Verônica; a empresária Flávia Santana; a psicóloga Mafoane Odara; a baiana Gineide da Conceição; a presidente do CMDCA, Taiane Paixão; a major da PM Érica Patrícia; e as jornalistas Hamali Pestana (editora da Revista Raça), Tairine Ceuta, Lorena Alves, Luana Souza, Georgina Maynart e Yasmin Santos.

Divulgação Redes Sociais

No ano de 2019, o Prêmio Maria Felipa ocorreu de forma presencial e foi realizado no Centro de Cultura da Câmara de Salvador e teve recorde de público. Já em 2020, o evento aconteceu de forma remota devido à pandemia do coronavírus, receberam a honraria nomes como: Ana Amélia (médica oncologista), Ashley Malia (jornalista), Carolina Santana (guarda municipal) e Juliana Galvão (psicóloga). Neste ano, a cerimônia ocorre no dia 25 de julho às 18h, pelas redes sociais e pela TV Câmara.

Prêmio Maria Felipa em 2019. Foto: Valdemiro Lopes/Arquivo CMS

Confira a seguir uma entrevista exclusiva com Ireuda Silva:

Bahia Recôncavo (BR): Primeiro, gostaria de saber qual a história do Prêmio Maria Felipa?

Ireuda Silva (IS): O Prêmio foi criado em 2009 e desde 2017 é coordenado por nós. É uma das mais importantes honrarias concedidas a mulheres negras que se destacam na luta por direitos e contra o racismo.

Bahia Recôncavo: Qual a importância desse prêmio?

Ireuda: Ainda sofremos muito com a discriminação racial, que segrega e mutila direitos fundamentais. Nesse contexto tão cruel e que ainda guarda resquícios da escravidão, as mulheres negras são duplamente vitimadas, já que o preconceito tem natureza racial e de gênero. Desse modo, penso que este dia e este prêmio são o mínimo que podemos fazer para reafirmar o nosso posicionamento, mostrar que nós, mulheres negras, estamos aqui, que somos peças fundamentais da história do Brasil e da Bahia. E que lutamos constantemente para melhorar a realidade de todas nós.

Bahia Recôncavo – Sabemos que a luta por representatividade ainda é muito grande. As mulheres negras continuam enfrentando diversas barreiras no mercado de trabalho. Como a senhora avalia as ações de enfrentamento ao racismo institucional? E como o prêmio Maria Felipa contribui na luta contra esse tipo de racismo?

Ireuda: O racismo institucional precisa ser enfrentado de forma constante. Uma das principais frentes de enfrentamento é trabalhar na cultura e na educação. Enquanto a mentalidade da sociedade não mudar no que se refere à questão racial, o preconceito continuará a existir. Formar cidadãos antirracistas, desde a infância, é outro ponto fundamental nesse sentido. E um dos objetivos do Prêmio Maria Felipa é justamente esse, enaltecer e tirar as mulheres negras do apagamento deflagrado pelo racismo, mostrando ao mundo o quanto a atuação delas é importante para o desenvolvimento do país.

Bahia Recôncavo: Diante desse cenário atípico, a pandemia da Covid-19, eu gostaria de saber como está
sendo a organização de forma online pelo segundo ano consecutivo?

Ireuda: A pandemia nos obrigou a nos adaptar. Tivemos que realizar a cerimônia sem a presença maciça do público, que sempre compareceu em peso às edições anteriores. Além disso, reduzimos o número de pessoas nos bastidores e passamos a seguir os protocolos de segurança elaborados pelas autoridades sanitárias, como o distanciamento social, uso de máscaras e álcool em gel.

Bahia Recôncavo – Para concluir, gostaria que a senhora aproveitasse o espaço para deixar uma mensagem
e um convite para os leitores e leitoras prestigiarem essa premiação

Ireuda: Quero dizer a todos os leitores que a luta contra o racismo e o machismo deve ser uma luta assumida por todos. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Quanto mais pessoas abraçarem a causa, mais teremos chances de alcançar a tão almejada igualdade. E convido a todos a prestigiarem a cerimônia do Prêmio Maria Felipa, no próximo dia 25, às 18h, nas redes sociais da vereadora Ireuda Silva e pela TV Câmara Salvador.

Divulgação: Redes Sociais

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