CulturaDestaqueEntretenimentoNotícias

OSCAR NIEMEYER EM CRUZ DAS ALMAS – BA

Aos 15 anos de idade, ao chegar a Cruz das Almas para cursar o científico, uma construção leve, combinando curvas com um retângulo,  despertou a minha atenção de adolescente. As formas me fizeram pensar em Brasília. A capital do país tinha sido recém inaugurada e os traços geniais da Novacap eram imitados em muitas construções.  
Fixei residência em Cruz das Almas e nesses 50 anos que ando pela cidade, os meus olhos sempre estiveram voltados para a velha estação ferroviária abandonada, silenciosamente se desfazendo.
Recentemente, pesquisando sobre as ferrovias brasileiras, obtive a informação surpreendente de que as estações de Cruz das Almas e de Feira de Santana são desenhos de Oscar Niemeyer. Demolida a de Feira, restaria a estação de Cruz das Almas como a única projetada por Niemeyer na Região Nordeste do Brasil (1).
Isto significa que Cruz das Almas possui, sem  dar o devido destaque, um bem de valor monumental. Países onde Niemeyer realizou projetos, como França, Estados Unidos, Argélia, conservam suas obras como patrimônio histórico. Precisamos, igualmente, valorizar o que possuímos.
Niemeyer é uma das personalidades brasileiras com mais alto conceito no mundo, comparável em importância a Santos Dumont, Rui Barbosa, Tom Jobim, João Gilberto, Carmen Miranda… Misturo na comparação ciência e arte, porque Niemeyer era arquiteto e poeta nos seus traços, linhas e curvas. Reconhecido mundialmente, foi em vida agraciado com o prêmio Prietzer, que corresponde ao Nobel da Arquitetura.
Ao olhar a velha estação vemos, guardadas as proporções, a Igreja da Pampulha, o Memorial da América Latina, em São Paulo, e um dos edifícios da Universidade de Constantine, na Argélia.
Recuperar esse  patrimônio abandonado é uma obrigação, não só por respeito à memória do maior arquiteto brasileiro, como também pela oportunidade de transformá-la num atrativo turístico para a Cidade Universitária. Restaurada pode servir para abrigar um museu, do qual carece a cidade, um teatro, café, cinema, biblioteca ou todas estas coisas num só espaço.
Um dia sonhou-se com trens e locomotivas chegando e partindo, passageiros saltando, encontros e despedidas. Isto não ocorreu, a Estação não chegou a ter uso, apesar de implantados os trilhos. Agora, sabendo do valor arquitetônico, não custa sonhar um outro sonho: A obra de Niemeyer reunindo tudo o que ele admirava:  história, cultura, arte e pintura.

Bibliografia:
1. Reis, Roosevelt; Ware, Renato; Giesbrecht, R. M. Estações Ferroviárias do Brasil. In: www.estacoesferroviarias.com.br

Colunista: Ygor da Silva Coelho

Engenheiro Agrônomo e Pesquisador da Embrapa.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo