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Homem que morreu em estudo da Prevent Senior era cardíaco e não sabia que estava no teste

Um dos nove pacientes que morreram durante o experimento da Prevent Senior, para testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19, não sabia que estava incluído no estudo. Segundo informações da GloboNews, Rogério Antonio Ventura era cardíaco e não recebeu diagnóstico de Covid.

Segundo a reportagem, apesar de nove pessoas terem falecido, a operadora ocultou sete óbitos. O Ministério Público Federal, a CPI da Covid e o Conselho Federal de Medicina investigam o experimento.

Conforme a GloboNews, Rogério participou do estudo da cloroquina, mas ele e os familiares jamais souberam, tomando conhecimento apenas depois que a publicação lhes informou. De acordo com o prontuário feito pela Prevent Senior, Rogério tinha problemas cardíacos, era hipertenso, apresentou quadro de arritmia e usava diversas medicações, enquanto era atendido pela empresa. Assim, ele não era um paciente indicado para receber a cloroquina devido aos riscos que o remédio pode provocar no coração.

Segundo a GloboNews, a Prevent Senior, no entanto, prescreveu a medicação duas vezes em um mês, e em uma delas sem que a família ou o próprio Rogério fossem avisados, segundo o relato dos familiares.

Em um mês, ele foi hospitalizado ao menos três vezes em uma unidade de saúde que pertence à rede. Porém, apesar da inclusão no experimento para testar a cloroquina, Rogério não foi submetido a um teste para saber se de fato ele estava com Covid.

Ainda segundo a GloboNews, o prontuário do paciente e a planilha da Prevent Senior, indicavam que Rogério não passou por eletrocardiograma, uma exigência do próprio protocolo da empresa quando há prescrição de cloroquina.

À Globo, a família diz que a Prevent nunca apresentou qualquer termo de consentimento para o uso da medicação e participação do estudo. De acordo com a reportagem,a Prevent Senior disse que “o paciente citado deu anuência ao atendimento médico prestado como todos as demais pessoas acolhidas” e que “os médicos da empresa sempre tiveram total autonomia para prescrever os tratamentos que julguem mais eficazes.

“O paciente não morreu de Covid nem de efeitos colaterais medicamentosos, mas de complicações decorrentes de um enfisema pulmonar preexistente. A Prevent Senior não fez experiência científica, mas uma compilação de dados de atendimento de pacientes atendidos entre 26 de março e 4 de abril de 2020. Não houve fraude nesta compilação. A Prevent Senior não tem qualquer envolvimento com políticos ou “gabinetes paralelos”. Em respeito aos mais de 550 mil clientes e à sociedade, a Prevent Senior vai prestar todos os esclarecimentos sobre calúnias e fatos propositalmente distorcidos”, diz a nota da empresa.

Inicialmente, a Prevent Senior havia informado que apenas pacientes com diagnóstico de Covid-19 confirmado participariam do estudo. No entanto, para aumentar o número de pacientes, a operadora acabou reduzindo as exigências: bastaria se enquadrar em algum sintoma suspeito para ser incluído na pesquisa.

Fonte: A Tarde

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