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Entenda por que a saúde mental tem se tornado uma preocupação para os cruzalmenses

Na manhã do dia 25 de março, os cruzalmenses receberam a trágica notícia de mais um suicídio na cidade. Desta vez, uma senhora de 59 anos que morava no bairro Chapadinha foi encontrada morta no interior do seu imóvel. Este foi o sétimo suicídio registrado nos primeiros três meses do ano. A alta dos números segue tendência mundial.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 milhão de pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. Este número é maior que a soma dos homicídios e das mortes causadas por desastres naturais e vem aumentando desde a crise econômica iniciada em 2008 nos Estados Unidos, e que atinge o Brasil desde o final de 2013.

Na Bahia não é diferente, de acordo com o Boletim Setembro Amarelo da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) -divulgado em setembro de 2020- desde 2012, o número de óbitos por suicídios vem subindo. Só no ano de 2019 (último ano que tem registro no boletim), 634 pessoas perderam a vida.

Segundo a psicóloga cruz-almense Tanara Rodrigues, os problemas com a saúde mental e emocional sempre foram negligenciados e são potencializados nesse período de pandemia. “Infelizmente, as pessoas costumam tratar a depressão como ‘coisa de quem não tem o que fazer’, ‘depressão não mata’…São tantas frases de preconceito que perpassam por essa falta de busca pela saúde mental. E nesse período de pandemia a negligência só aumentou”, enfatizou.

Ainda conforme a psicóloga, a reclusão em casa sem muitos momentos de lazer, desentendimentos familiares e a incerteza econômica são situações que desencadeiam problemas relacionados à saúde mental, mas ressalta que não é certeza a influência da pandemia nas mortes. “Passar mais tempo com a família, com tantos problemas neste momento, pode ser um gatilho para quem já sofre com depressão, quem já tem pensamentos suicidas. Uma pessoa que está com ideação suicida, que está enfrentando uma depressão, precisa reconhecer e buscar ajuda. A família precisa estar preparada e pode servir como um apoio, mas não se pode afirmar que sejam essas as causas da morte na cidade”, concluiu. 

Por conta do agravamento das questões psíquicas, o Centro Antiveneno da Bahia divulgou uma cartilha sobre os mitos e as verdades no suicídio e de que maneira podemos ajudar (antes, durante e depois) quem está passando por esse momento.

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