COVID-19DestaqueNotíciasPolíciaSaúde

CPI da Saúde de Cruz das Almas interroga duas testemunhas

No fim da manhã desta quarta-feira, 30, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde de Cruz das Almas interrogou duas testemunhas na Câmara de Vereadores do município. O objetivo desta seção era esclarecer possível troca de vacinas, adulteração de cartões de vacinação dos pacientes e investigação sobre óbito ocorrido por suposto erro médico. Esta é a 5° reunião desde o início das investigações.

Foram convidadas as testemunhas Leda Maria Santos Caldas que explicou eventos ocorridos no mês de março e abril sobre troca de vacinas e adulteração de cartão de vacinação, e Geraldo Ferreira Moreira Neto, enteado de Ronaldo Conceição Teles, que faleceu vítima de Covid-19 no dia 05 de abril por suposto erro médico.

Leda, a primeira testemunha do dia a ser interrogada pela CPI, afirmou que no dia 23 de março de 2021 foi à praça Sumaúma, local de vacinação contra a Covid-19, e recebeu a 1° dose do imunizante CoronaVac. O nome da vacina constava no cartão de vacinação, bem como a data para retorno da 2° dose. Entretanto, cerca de 10 dias depois, ela recebeu mensagens da Secretaria Municipal de Saúde informando que houve erro no preenchimento do cartão e solicitando que fosse devolvido porque constava a vacina errada. Após o ocorrido, Leda Maria entrou em pânico, denunciou o caso à imprensa e teve medo de se vacinar pela segunda vez. “O ocorrido não é imaginário, nós estamos falando o que é certo, o que é de direito. E eu considero um dever (vir aqui)”, enfatizou.

A vítima da suposta adulteração dos cartões também comentou sobre uma entrevista do secretário municipal de Saúde, Sandro Borges, sobre a troca de imunizantes e uma possível vacinação cruzada. Na ocasião, Sandro disse que não haveria problemas caso houvesse troca na aplicação das doses e que uma terceira vacina seria aplicada para melhorar a imunização, porém não há estudos científicos conclusivos sobre reações adversas nem dos efeitos da imunização cruzada.  

“Fiquei mais constrangida ainda quando o senhor secretário de Saúde (Sandro Borges) foi ao rádio e disse que tudo ficaria certinho com a terceira dose. Aquilo era uma incompetência, uma irresponsabilidade”, concluiu.

Já Geraldo Ferreira prestou esclarecimentos sobre o falecimento do seu padrasto Ronaldo Conceição Teles. Ronaldo sentiu sintomas intestinais, foi medicado e liberado para casa. No dia seguinte, conta Geraldo, o padrasto apresentou falta de ar, testou positivo para o vírus e foi encaminhado para o Setor de Covid de Cruz das Almas. Lá, a família soube que o quadro de Ronaldo era grave e que seu corpo estava rejeitando a intubação, acordando inclusive no meio do procedimento. Por conta disso, Ronaldo não pôde ser transferido para hospital de referência em Salvador vindo a óbito em seguida.

Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) falaram que ele (Ronaldo) estava empesteado de Covid-19 e não ofereceram ambulância para transporte. Minha mãe teve que chamar um carro (táxi) para irmos ao Setor de Covid [..] Tivemos informação de que houve uma melhora, que a saturação já tinha melhorado. Depois disso fomos para casa. Aí no final da noite, voltamos e soubemos que ele tinha sido entubado, mas que o procedimento não deu certo e por conta disso permaneceu instável e não poderia ser transferido”, informou.

Ao final, o presidente da CPI, vereador Paulinho Policial (PSD) advertiu e deu o prazo de 72 horas para a secretaria de Saúde enviar documentação pedida pela Casa, caso contrário acionará a Justiça contra o secretário Sandro Borges por crime de responsabilidade, bem como a abertura, também, de crime responsabilidade política e administrativa.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo