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“Antes de paris-2024, Penso em me profissionalizar”, diz Keno Marley

Logo após a histórica prata no Mundial de boxe masculino, o pugilista baiano Keno Marley conversou exclusivamente com o A TARDE. Direto de São Paulo, onde treina, Keno diz estar orgulhoso das campanhas que fez com apenas 21 anos, inclusive a derrota nas quartas de final da Olimpíada de Tóquio. Além disso, o atleta fez uma revelação sobre a possibilidade de largar o boxe olímpico antes da próxima edição dos Jogos. Por fim, Keno elogiou o nível do boxe baiano, mas cobrou investimentos.

Você fez uma campanha histórica no Mundial de boxe masculino. Foi o terceiro brasileiro – e baiano – a alcançar a final, e venceu todas até a decisão de forma unânime. Está satisfeito com a sua campanha? Qual sua leitura geral da sua participação?

Foi um campeonato bem expressivo pra mim. Uma prata importante em um Campeonato Mundial. Foram 504 atletas, 88 países. Então, sabemos que o nível é muito alto, e eu consegui obter esses resultados que você tava falando. Foram excelentes nas primeiras lutas. Até na final mesmo, que foi a luta que eu perdi, fiz uma excelente luta, e por alguns detalhes eu não saí com a vitória. Foi um resultado dividido. Faltou muito pouco. Fico muito feliz de com apenas 21 anos chegar numa final de Mundial. Isso é muito importante, não só pra mim, como pra toda a equipe.

Agora com o resultado consolidado, faria algo diferente na luta da final?

Eu acho que a estratégia que a gente decidiu fazer não saiu errada, só não convenceu da forma que deveria convencer os árbitros. O boxe é um esporte no qual a avaliação é subjetiva. Foi basicamente o que aconteceu: dois acharam que eu ganhei, três acharam que ele ganhou. Até entramos com um recurso para revisão da luta, porém, foi indeferido. Mas o trabalho feito foi excelente.

Considera esse resultado o melhor da sua carreira?

Acho que foi um resultado muito bom. O Mundial adulto é um campeonato extremamente forte e poucos atletas conseguem chegar à final. Como você falou, foram apenas três brasileiros, e eu sou um desses, com 21 anos. Então, estou extremamente feliz. Acho que ali foi meu máximo até então.

Na Olimpíada, você perdeu nas quartas de final, a uma luta de garantir uma medalha. Qual foi seu sentimento com aquela derrota?

Eu fiquei um pouco triste, é claro. Porque a gente vai para os campeonatos, para cada luta, pensando em ser campeão, pensando em trazer a medalha de ouro. E isso é o que todos os atletas visam. O que acontece é que nem sempre você consegue esse resultado. Mas o mais importante não é apenas resultado, é como você consegue fazer aquele resultado. É a performance. Então, apesar dessa tristeza de não ter saído com um resultado esperado, o resultado que eu queria, eu fiz um bom trabalho. Isso me motivou ainda mais para chegar forte no Mundial, que foi pouco tempo depois, e conseguir essa medalha. Então, eu fiquei feliz, adquiri mais experiência para convencer melhor os árbitros.

Nesse mesmo sentido de aprendizagem, você acha que o Keno da Olimpíada foi um Keno diferente do Mundial?

A cada dia, a cada luta, a cada treino, aprendemos bastante coisas. A Olimpíada é um evento muito importante e me ensinou muita coisa. Então, o Keno de hoje, o Keno de amanhã, o Keno de dez dias atrás, não é o mesmo Keno da Olimpíada. Sempre vai ser diferente. Cada dia eu vou me aperfeiçoando e tentando melhorar, tentando consertar meus erros. Sempre em busca da perfeição.

Com todos esses aprendizados, qual é o seu foco a partir de agora? Já está de olho em Paris-2024?

Tem bastante coisa antes disso, mas já estou de olho em Paris-2024, sim. Estou de olho no próximo Mundial, que será no Uzbequistão, em 2023. Tô de olho também no Pan-americano e em todos os campeonatos do ciclo olímpico. Esse que vai ser o menor ciclo da história, porém, vai ser bem importante. Cada dia é um dia, vamos trabalhando buscando melhoras. A evolução vem com a constância e os resultados vêm devido ao trabalho.

Talvez seja um pouco cedo pra falar nisso, mas você já pensou sobre a possibilidade de seguir carreira também no boxe profissional?

Sim. Estamos avaliando algumas propostas, porém, eu gosto muito do boxe Olímpico. Vai depender de alguns fatores para permanecer no boxe olímpico ou não. Por exemplo, em questão de valores. A gente faz isso por amor, mas também precisamos por comida em casa. Outra coisa é a forma de treinamento. Tudo é diferente. São vários fatores que influenciam e até 2024 tem bastante chão.

Considera fazer essa troca antes da próxima Olimpíada?

Tem que ver. São coisas que temos que analisar com calma. Mas, sim, tem a possibilidade de antes de 2024 eu me profissionalizar. Até então, meu foco é Paris.

A força do boxe baiano já é bem reconhecida mundo afora. Popó e Sertão são exemplos disso, sem falar em Adriana Araújo, Robson, Everton Lopes, que vieram depois, e agora tem essa geração, com você, Hebert e Bia. Qual a razão dessa força do boxe da Bahia? A gente não consegue enxergar um investimento do governo que justifique o sucesso, por exemplo.

Isso é resultado de pessoas que servem ao esporte, que abdicam de outras coisas para o esporte. Por exemplo, eu saí de um projeto bem carente, com o professor Marcos Silva, em Conceição do Almeida, uma cidade no Recôncavo Baiano, bem pequena. Eu, Hebert e Bia começamos em projetos parecidos. Um com o pai ou com a mãe, outro com um amigo que era treinador. Normalmente os resultados vêm por causa desses treinadores. Eles abdicam das coisa pelo esporte. E, mesmo sem condições, fazem com que aconteça. Mesmo com a baixa estrutura, eles abraçam os alunos, naquele momento, e os tornam atletas de alto rendimento. Então, o resultado alto da Bahia é basicamente por isso: tem muitos treinadores, tem muitos projetos, mesmo com a baixa estrutura, mesmo com um baixo investimento. Tem muitas pessoas que amam o boxe, e isso contribui para que novos Keno Marleys, novos Heberts, novos Robsons, surjam. Onde você planta, algum fruto tem que dar.

Fonte: A Tarde

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