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A FONTE DO DOUTOR

FONTE DO DOUTOR retratada em tela pelo pintor Zeca Salomão

Contou-nos o memorialista Alyrio Mendes, sobre a Fonte do Doutor, que esta foi uma referência porque além de outras serventias abastecia a cidade com água potável. Um local que marcou a vida da cidade.

Tinha uma expressão que se tornou popular e era citada em todos os lugares: QUEM BEBE ÁGUA DA FONTE DO DOUTOR, VOLTA! Havia a Fonte original, de propriedade do médico oftalmologista Dr. José Joaquim Ribeiro dos Santos, que se banhava ali todas as manhãs – daí o nome FONTE DO DOUTOR. Depois toda a área foi adquirida por Dr. Lauro Passos. Ali onde é a lateral da Secretaria da Fazenda, Rua Lélia Passos, era a entrada para a Fazenda Bonsucesso, com um grande laranjal da vulgarmente chamada laranja de umbigo ou Bahia.

Lá pelos anos 30, Dr. Luiz Eloy Passos foi nomeado Prefeito; na sua gestão, além da construção do Matadouro Municipal, foi feita uma reforma na Fonte do Doutor cuja água era colhida diretamente da fonte. Construiu-se, então, uma grande caixa d’água, banheiros masculinos e femininos, na lateral da caixa torneiras para captação de água em latas, potes ou barris e colocação de mangueiras para lavagem de autos; vários tanques de cimento para lavagem de roupas. Assim, além de uma fonte de renda, a Fonte era também um ponto de lazer para os cruzalmenses da época. Muitas famílias iam tomar o banho matinal na Fonte. Nada de maiô, as meninas entravam no box para o banho e as mães ficavam na porta do banheiro, de guarda. Aos homens era proibido sair de cueca dos boxes. Havia um encarregado da Fonte, apelidado de Martelo; tinha um barraco de madeira onde ele vendia uma cachacinha para fregueses do banho e fregueses que não tomavam banho, só a cachaça. Os aguadeiros capitaneados por Bebiano enchiam os barris e potes de água que eram carregados no lombo de animais, levados até a “rua” e eram vendidos nas casas, para beber e cozinhar. Já para gasto geral, era usada água das cisternas mesmo.

O acesso à fonte era por uma ladeira de barro vermelho, sem calçamento; quando chovia era difícil para se subir até a pé. Muitos automóveis e caminhões pernoitavam lá por não poderem subir a ladeira, derrapavam.

O abandono da Fonte do Doutor, dizem, se deu pela poluição. A água perdeu o sabor original; quando coava ficava na toalha um liquido viscoso parecendo água-viva. Havia um estábulo para as vacas leiteiras ali por perto, no alto, e dizem que os banhos de carrapaticida nas tais vacas foi o início da degradação do manancial.

Concomitantemente a isso, chegava na cidade a água fornecida pela EMBASA e foi-se deixando definitivamente de comprar água da Fonte. Acabaram-se os aguadeiros e os banhos na fonte.

O lugar histórico nunca foi esquecido, mas totalmente abandonado. Uma pena!

FOTO ACERVO: Lauro Passos Neto

 Edisandro Barbosa Bingre

Escritor, poeta, pesquisador memorialista e criador do site Almanaque Cruzalmense. Em 2020 foi agraciado pela Câmara Municipal de Vereadores com o Título de Cidadão Cruzalmense.

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